Saya no Uta – a Canção de Saya

•31 de maio de 2013 • Deixe um comentário

A vida de Fuminori é um inferno. Literalmente. Após um acidente de carro que mata seus pais, ele passa por uma cirurgia que modifica totalmente sua visão de mundo – para pior, muito pior. Tudo que antes da cirurgia tinha uma aparência normal agora passou a ser feito de vísceras e sangue. A comida tem um gosto horrível, podre, tudo tem um cheiro repulsivo e até os sons foram distorcidos. As pessoas também mudaram. Todos, incluindo seus amigos e sua namorada, se transformaram em monstros grotescos, capazes de levar à loucura qualquer um. Até que ele conhece Saya, uma jovem e bela garota em um mundo de demônios. Sua voz é o som mais doce de uma realidade insana. Seu cheiro supera a essência de todas as flores ao lado da podridão sentida por Fuminori. E ele faria de tudo para ter Saya por perto, inclusive abandonar a própria humanidade…

Oi! *-*

Oi! *-*

Saya no Uta (A Canção de Saya) é uma Visual Novel da Nitroplus escrita por Gen Urobuchi, que também escreveu Mahou Shoujo Madoka Magica e Fate/Zero (tenho a obrigação de falar deles também aqui no blog). Antes dos comentários, uma explicação sobre Visual Novels. Também conhecidas como VNs, elas são um sub-gênero dos jogos Adventures, focados na solução de enigmas, na história e na exploração dos cenários. Foram bastante populares nos anos 90, tendo um público restrito atualmente. Exemplos atuais de games nesse estilo são Heavy Rain, The Walking Dead e Beyond: Two Souls. As Visual Novels são, basicamente, livros com ilustrações em anime, dublagem e trilha sonora, diferenciando-se dos adventures pela ausência de jogabilidade. Há a possibilidade de fazer escolhas que mudam o rumo da história mas, fora isso, a interação é quase nula. Esse tipo de jogo é extremamente popular no Japão, tendo vários gêneros – fantasia, terror, romance, erótico (hétero ou gay) etc. Principalmente os eróticos (chamados “eroges”). Não são poucas as VNs que apelam sexualmente para se destacar, já que é consideravelmente fácil fazer uma VN, basta alguém para escrever a história, alguém para desenhar e alguém para compor as músicas. Ou seja, espere muito fan service. Saya no Uta é uma eroge lolicon de romance e terror. A JAST USA localizou recentemente o game para o Ocidente mas é possível encontrar na net um patch de tradução para inglês feito pelos fãs. O YA-Fansub anunciou um projeto de tradução para PT-BR mas até agora tivemos nada.

Esse é Fuminori e isso em que ele está deitado é a cama. A minha não parece tão desconfortável agora...

Esse é Fuminori e isso em que ele está deitado é a sua cama. A minha não parece tão desconfortável agora…

Agora sim, começo a dar meus comentários. Saya no Uta é grotesco, assustador, nojento, cruel, violento, sombrio, doentio e perverso. Mas também é uma das histórias de amor mais belas que eu já vi. Após a cirurgia, Fuminori tem o seu mundo arrancado às forças e Saya é o único pedaço de beleza restante. Os dois se apaixonam e se ajudam – Fuminori tenta encontrar o pai de Saya e ela tenta deixar o ambiente mais agradável para o seu amado, seja pintando a casa para disfarçar a aparência mórbida ou tentando cozinhar algo que seja comestível para o rapaz. Mas eles não são os únicos personagens. A história também é contada da perspectiva dos amigos de Fuminori, que tentam entender o seu comportamento estranho. E, para eles, o mundo continua inalterado. Apenas a perspectiva de Fuminori foi alterada, o mundo continua o mesmo. Quando o caminho dos amigos cruza com o de Saya, os personagens começam a afundar na insanidade em uma história onde a divisão bem x mal é inexistente. Não há heroísmos, há apenas tragédias. Muitas vezes era difícil continuar lendo por causa do teor presente e por não saber por quem torcer, qual lado é o melhor. Sim, as crueldades feitas são imperdoáveis, mas alguém faria diferente para voltar a ter aqueles prazeres simples do dia-a-dia? Comida, casa e família pareciam ter sido tiradas de Fuminori até a chegada de Saya, que só deseja a felicidade do seu amado. E após um tempo em contato com esse mundo sombrio, ninguém conseguiria manter a sanidade, vivendo moralmente como todo mundo. Posso estar sendo um pouco vago, mas é melhor que você veja por si só tudo o que eles são capazes pelo amor.

Seu BFF não pereceria muito amigável com essa forma...

Seu BFF não iria parecer muito amigável com essa aparência…

Uma das vantagens de uma VN em relação a livros convencionais é a imersão causada pela trilha sonora. E falando de uma história de terror… Posso passar muito tempo escrevendo como ela te faz se sentir na pele do personagem, como ela vai da loucura à plena tranquilidade em instantes, como algumas faixas são realmente lindas (em especial a música de encerramento, Shoes of Glass) ou posso simplesmente te pedir para jogar fora o seu conforto e escutar Schizophrenia.

O nome faz jus a música.

Outros aspecto a ser mencionado é a arte. Eu simplesmente amei o desenho dos personagens. São belos sem serem muito cartunescos, passando um ar de seriedade e realismo. O destaque vai para os cenários do ponto de vista de Fuminori. Geralmente, animes e filmes possuem cenas de gore, não é nada anormal. Mas os ambientes dessa VN são o gore. Tudo é muito detalhado, com vísceras e sangue em todos os lugares, ainda lembrando sua aparência original. O contraste entre a limpeza e beleza do ambiente em sua forma original e o ponto de vista de Fuminori é impactante. Não tenho reclamações neste aspecto.

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Isso não significa que Saya no Uta seja perfeito. Se lembra quando eu disse lá em cima que ela é um eroge? Pois é, há várias cenas de sexo explícito um tanto desnecessárias. Por mais que isso talvez aumente seu interesse, elas são tudo menos excitantes. Estupro, gore, (possível) pedofilia, escravidão sexual… Essa é realmente uma história de terror que mostra pessoas abandonando a humanidade e enlouquecendo. E Saya tem uma aparência de menininha que me deixou ainda mais desconfortável com cenas desse tipo (eu realmente não curto lolicon/shotacon). A trama também tem alguns buracos, mas não chega a atrapalhar, está dentro do tolerável.

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Saya no Uta é uma história marcante que vai ficar na sua cabeça por um bom tempo. É pesada, agonizante e cruel, mas possui uma beleza ainda maior por trás de tudo. A arte belíssima e a trilha sonora mais que adequada ao clima da trama só aumentam a imersão nesse mundo distorcido. O jogo ainda fornece duas escolhas que alteram o rumo da história, tendo três finais tão trágicos quanto belos. Recomendo para todos que tiverem estômago e quiserem ver a união perfeita entre o amor e o horror.

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A Trilogia Millennium de Stieg Larsson

•15 de maio de 2013 • Deixe um comentário

Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo do Ar são os três livros que compõem a série sueca Millennium, escrita por Stieg Larsson. A história gira em torno do jornalista Mikael Blomkvist e da jovem hacker Lisbeth Salander enquanto eles investigam crimes cometidos contra mulheres, sempre explicitando a brutalidade e a covardia. Todos os três livros foram adaptados para o cinema, com o primeiro ganhando uma versão norte-americana dirigida por David Fincher e estrelada por Daniel Craig e Rooney Mara.

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Em Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Mikael Blomkvist é um jornalista acusado de difamação após fazer uma matéria na sua revista, a Millennium, atacando um influente empresário. No fundo do poço ele é contratado pelo empresário Henrik Vanger para investigar o desaparecimento de sua sobrinha, Harriet Vanger, em 1966. No dia de seu desaparecimento a ilha em que ela estava, Hedestad, tinha sido isolada por conta de um acidente. Nenhum vestígio da garota foi encontrado. Henrik está convencido de que ela foi assassinada, e o pior – de que um dos membros de sua problemática família foi o autor do crime. No meio da investigação, Mikael ganha a ajuda de Lisbeth Salander, uma jovem introvertida e agressiva que mudará a sua vida.

Lisbeth Salander nos filmes suecos, interpretada por Noomi Rapace

Lisbeth Salander nos filmes suecos, interpretada por Noomi Rapace

Só não digo que a trama de Os Homens que Não Amavam as Mulheres é uma das melhores da literatura de investigação policial atual por que meus conhecimentos sobre essa área são mínimos (:P). Um final surpreendente, personagens impecáveis e uma sensação de perigo crescente… todos os ingredientes de um best seller digno. Larsson ainda conseguiu dar um toque de religião e nazismo no mistério que só melhora o que já estava bom. E falando em personagens… LISBETH. Ela é, sem dúvida, a alma de toda a série. É ela quem protagoniza os melhores trechos do livro e é ela, sozinha, que sustenta os dois próximos livros (entrarei em detalhes lá embaixo). Esse era um livro que tinha tudo para ser perfeito… pena que ele seja um tijolo maçante e prolixo. Para descobrir o mistério de Harriet Vanger você terá que atravessar capítulos intermináveis mostrando o “emocionante” cotidiano de um personagem, descrições desnecessárias (com direito a marca de cartão de crédito, de pizza congelada e do processador do computador de fulano) e um desfecho desnecessariamente prolongado (“desnecessário” é a palavre que resume a escrita de Larsson). Quem quiser fugir desse obstáculo pode assistir à adaptação cinematográfica. As atuações de Noomi Rapace e Rooney Mara são impecáveis e a trilha sonora e fotografia do filme norte-americano são excelentes (essa é uma das raras ocasiões onde a adaptação dos Estados Unidos supera a original, mesmo a minha Lisbeth favorita sendo a sueca). Mesmo assim… tente ler o livro. Leitura é uma experiência totalmente diferente de assistir a um filme. Não se desanime por nada acontecer em 100 páginas.

A Rainha Lisbeth de Rooney Mara

A Rainha Lisbeth de Rooney Mara

Após os eventos do primeiro livro, A Menina que Brincava com Fogo mostra Blomkvist prestes a publicar uma matéria que desvendaria uma rede de tráfico de mulheres com o envolvimento de várias pessoas influentes na Suécia. Mas, pouco antes da sua publicação, os dois colaboradores dessa investigação são encontrados assassinados dentro de casa. A principal suspeita: Lisbeth Salander. Mikael agora tenta descobrir a verdade por trás desses assassinatos e provar a inocência de Lisbeth Salander.

O Mikael Blomkvist sueco

O Mikael Blomkvist sueco

Se você ler o primeiro livro, você vai ficar no mínimo curioso sobre a personalidade da hacker Lisbeth. Anti-social, agressiva e com vários indícios de um trauma de infância ou transtorno psicológico, é natural que muitos se perguntem pelo quê ela passou, por que ela é assim. E é esse o principal valor desse livro: mostrar a história de Lisbeth Salander. Não falarei muito para não dar spoilers mas ela é um exemplo perfeito de alguém negligenciado pela sociedade. Larsson fez várias críticas com essa personagem, incluindo à imprensa que prefere as aparências à verdade. As falhas do livro? As mesmas do primeiro. Longos capítulos, longas descrições inúteis… Mas, diferentemente do Os Homens que Não Amavam as Mulheres, o final é deixado em aberto. E é aí que vem o terceiro livro…

James Bond Mikael Blomkvist norte-americano

James Bond Mikael Blomkvist norte-americano

Não posso falar muito da trama de A Rainha do Castelo de Ar pois ela é a continuação direta do segundo livro – qualquer coisa seria um grande spoiler. Mas posso falar que esse é o que eu menos gostei. Com 688 páginas desnecessárias, o que prende o leitor é o desejo de saber a (previsível) conclusão, centrada em Lisbeth. Há alguns subplots interessantes, como o de Erika (esse sim é surpreendente) e a leitura sempre melhora ridiculamente quando Lisbeth tem o foco, mas além disso… não há muita coisa. Como Larsson morreu antes mesmo de ver o sucesso da série, o último livro não tem cara de último livro, de encerramento. Deixa aquela sensação de algo incompleto, mal finalizado.

 

Conclusão: apesar de eu esperar muito mais da trilogia Millennium e de Larsson não tê-la finalizado… eu recomendo essa leitura. Lisbeth é uma personagem sensacional, que protagoniza muitas cenas memoráveis. Além disso o tema da violência contra as mulheres foi muito bem desenvolvido, mostrando que nem a Suécia está livre desse horror. Tenho um carinho especial pelo primeiro livro e, mesmo os outros não sendo tão bons assim, Lisbeth Salander faz tudo valer a pena.

Toy Stories – crianças do mundo e seus brinquedos

•25 de abril de 2013 • Deixe um comentário

Acredito que a infância seja a fase mais importantes da vida de uma pessoa, afinal, é ela que vai definir o adulto de amanhã. Talvez o símbolo dessa fase sejam os brinquedos (como bem mostrado pela animação Toy Story), que mostram do que as crianças gostam e dão várias pistas sobre o futuro. Pensando nisso (ou não), a fotógrafa Gabriele Galimberti passou 18 meses viajando ao redor do mundo e tirando fotos de crianças diferentes de países diferentes e seus brinquedos favoritos. O resultado foi no mínimo interessante e se encaixa perfeitamente no que foi descrito acima: um dos garotos sonha em ser piloto de avião e tem uma coleção de aviões de brinquedo. Mas as melhores fotos para mim foram as que mostraram os brinquedos de crianças de países mais pobres, confesso que fiquei um tanto comovido. Eu, de família de classe média, não tenho muito do que reclamar da minha infância. Posso não ter tido os melhores brinquedos nem as melhores festas de aniversário, mas meus pais se esforçavam para me fazer feliz. E eu era, amava aqueles bonecos de R$1,99. Também amava livros, era fascinado por eles. Mas nunca brinquei muito com bolas de futebol e carrinhos. Hoje, odeio futebol e sei praticamente nada sobre o mundo automobilístico (o que já me deixou boiando várias vezes em conversas com amigos). Imagino como eu seria se a realidade fosse diferente, se eu crescesse em uma região perigosa ou pobre eu seria essa mesma pessoa? Se meus brinquedos fossem encontrados no lixo eu ainda seria feliz?

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Até que eu vejo a foto da pequena Maudy, do Zâmbia. Seus brinquedos favoritos são óculos de sol que ela encontrou em uma caixa na rua. Olho para a garota e ela está… sorrindo. Um sorriso mais belo que o de muitas outras crianças da foto. Então eu penso: “do que estou reclamando da minha vida?” Claro, todo mundo tem problemas, mas essa garota tem uma vida cruelmente mais difícil. Ainda assim ela sorri. Quantas vezes deixei meu humor desmoronar sem motivos… Também não é como se sorrir vai acabar com meus problemas de auto-estima e auto-confiança. Mas também viver abatido não resulta em nada. Não sou hipócrita o suficiente para dizer que não reclamarei do almoço de amanhã ou que estou entediado tendo computador e videogames. Mas agora não vou mais ser meu próprio inimigo. Não vou me lembrar de me entristecer. Agora quero sorrir, só Deus sabe o que o amanhã aguarda. Cada segundo é muito precioso para ser perdido com angústias.

 

Bem, o post saiu como algo bem mais pessoal do que o esperado. Deixo uma galeria com mais algumas fotos do projeto. Todas as imagens podem ser vistas aqui.

A poesia pagã de Björk

•17 de abril de 2013 • Deixe um comentário

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Björk é uma das minhas cantoras favoritas e, definitivamente, uma das mentes mais geniais do mundo da música. Sua arte pode não ser uma das mais atraentes, afinal, ela é bizarra, sua voz é estranha e sua música é esquisita. E por esses motivos eu demorei um pouco para começar a gostar de verdade dela. Talvez eu não viraria fã se não fosse por um elemento: seus clips. Sim, mesmo com uma trilha sonora que me deixava com uma cara de WTF? (isso até me acostumar, depois foi só amor), os vídeos das suas músicas me deixavam impressionado, sempre surreais e com um valor artístico inegável. E um deles é o tema desse post: Pagan Poetry do álbum Vespertine.

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pedalling through
the dark currents
i find an accurate copy
a blueprint of the pleasure in me

Pagan Poetry fez bastante polêmica no seu lançamento, chegando a ser banido da MTV norte-americana. Dirigido por Nick Knight (mesmo de Born this Way da Gaganás), ele pode ser dividido em duas partes. A primeira é composta basicamente de sexo entre formas abstratas alternada com imagens de agulhas, piercings e colares sendo inseridos no corpo de uma mulher.  Na segunda parte, a cantora islandesa é finalmente mostrada usando um “vestido de casamento” desenhado pelo estilista Alexander McQueen. Detalhe: esse vestido deixa os seios de Björk a mostra e é, teoricamente, sustentado pelos piercings e colares mostrados na primeira parte do vídeo.

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swirling black lilies totally ripe
a secret code carved

Por ter “cenas de sexo” e nudez, muitos podem considerar o vídeo apelativo e pornográfico, no entanto, ele está longe disso. A finalidade de um conteúdo pornográfico é excitar sexualmente, longe da finalidade e das emoções de Pagan Poetry. Com todas essas agulhas, as expressões bipolares de Björk, que ora chora ora sorri, e o surrealismo nas cenas sexuais, o sentimento transmitido é basicamente dor, desespero e uma quase perda da sanidade. Mas qual seria o motivo para esses sentimentos?

he offers a handshake crooked - five fingers they form a pattern yet to be matched

he offers a handshake
crooked – five fingers
they form a pattern
yet to be matched

Um vestido de noiva é um símbolo do amor, afinal um casal só se casa (ou assim deveria) quando ambos se amam. Mas o vestido usado no vídeo só é mantido graças aos vários colares e piercings dolorosamente usados pela cantora. Logo, o amor existe apenas junto da dor dela? A letra da música não dá muitos detalhes sobre o motivo dessa dor. Infidelidade? Amor não correspondido? Questões morais? Ou pior, o próprio amante seria aquele quem a machuca?

on the surface simplicity but the darkest pit in me is pagan poetry -  pagan poetry

on the surface simplicity
but the darkest pit in me
is pagan poetry – pagan poetry

Enfim, seja qual for o motivo, amar dói e Björk, junto com Nick Knight, conseguiu passar toda essa dor tanto para quem escuta a música e seus “I love him/I love him/I love him…” silenciosos e angustiados, tanto para quem vê a instabilidade das suas expressões no vídeo. Chocante, sombrio, misterioso, belo e doloroso, Pagan Poetry é uma verdadeira obra de arte.

i love him this time i'm gonna keep me to myself this time i'm gonna keep my all to myself she loves him but he makes me want to hand myself over

i love him
this time
i’m gonna keep me to myself
this time
i’m gonna keep my all to myself
she loves him
but he makes me want to
hand myself over

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A lenta e angustiante Melancolia de Lars von Trier

•10 de abril de 2013 • Deixe um comentário

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Meu primeiro contato com o cinema do dinamarquês Lars von Trier foi com o filme Melancolia  (2011). Com uma narrativa parada, calma e angustiante, ele foi bem diferente do que eu estava acostumado a assistir. E gostei. Muito. O desespero e a tristeza que ele conseguiu me passar foi algo até então nunca sentido por mim. Lendo as críticas a respeito dele, vi que não há um consenso sobre a sua qualidade. Muitos o consideram chato, sem sentido, entediante, depressivo, pseudo-intelectual etc. Reconheço: realmente é entediante. Mas não consegui tirar os olhos da tela. E o final… já sabia o que ia ocorrer mas ainda assim fiquei impressionado com a intensidade. Bem, amando ou odiando, se tem algo do filme que foi inegavelmente impecável foi a sua introdução.

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Melancolia mostra a destruição do planeta Terra a partir do ponto de vista de duas irmãs e sua família. Ah, isso não foi um spoiler, o planeta é destruído no final e a introdução mostra isso de uma forma tão bela quanto assustadora. Não há esperança, nada importa, o fim é trágico e inevitável. Em oito minutos e com uma câmera super lenta, essa história desesperadora é introduzida ao som de Tristan und Isolde, de Wagner. Vemos imagens surreais e aparentemente desconexas enquanto o planeta azul Melancolia “dança” em torno da Terra. Pássaros e cavalos morrem, uma noiva tenta correr com as pernas presas em lã, uma mãe corre com seu filho em um campo de golfe, a noiva reaparece boiando na água em uma reinterpretação de Ofélia, e o planeta azul continua se aproximando lentamente. Mas chega de conversa, assista-a abaixo:

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Pôsteres minimalistas de Final Fantasy

•8 de abril de 2013 • Deixe um comentário

A franquia Final Fantasy é uma das mais antigas e respeitadas do mundo dos videogames (nem tanto atualmente por n fatores, mas esse é assunto para outro post). Com o primeiro título lançado em 1987 para o NES (a.k.a. Nintendinho), a série principal conta com atualmente 14 games (além de spin-offs, continuações, remakes, sequências, caça-niqueis etc). No ano passado a série comemorou 25 anos e, em homenagem, o artista Brett Wilson criou uma série de pôsteres em uma arte minimalista inspirados nos games da série. Veja-os abaixo:

Final Fantasy

Final Fantasy

Final Fantasy II

Final Fantasy II

Final Fantasy III

Final Fantasy III

Final Fantasy IV

Final Fantasy IV

Final Fantasy V

Final Fantasy V

Final Fantasy VI

Final Fantasy VI

Final Fantasy VII

Final Fantasy VII

Final Fantasy VIII

Final Fantasy VIII

Final Fantasy IX

Final Fantasy IX

Final Fantasy X

Final Fantasy X

Final Fantasy X-2

Final Fantasy X-2

Final Fantasy XI

Final Fantasy XI

Final Fantasy XII

Final Fantasy XII

Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII-2

Final Fantasy XIII-2

Final Fantasy Urban Legend, quer dizer, Versus XIII

Final Fantasy Urban Legend Versus XIII

Final Fantasy Type-0

Final Fantasy Type-0

Final Fantasy XIV

Final Fantasy XIV

Final Fantasy Tactics

Final Fantasy Tactics

E o fictício Final Fantasy MCMLXXXVII =)

E o fictício Final Fantasy MCMLXXXVII (o.o)

Todos eles ficaram realmente bonitos, melhor até que algumas capas originais. E o melhor: eles estão disponíveis para venda como uma forma de apoiar o trabalho do criador. Eu confesso que babei em todos, até daqueles que eu não joguei.

Perfect Blue – a cor da ilusão

•2 de abril de 2013 • Deixe um comentário

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O mundo da música e do cinema é repleto de ídolos. Sempre lindos, perfeitos e dispostos a agradar seus fãs, não é a toa que tantos cantores e atores sejam tão amados. Mas o que acontece quando a imagem exibida não corresponde à realidade? E quando o amor de um fã a essa falsa imagem passa do limite e vira uma obsessão? A relação entre uma idol e um fã stalker é o tema principal de Perfect Blue, animação dirigida pelo mestre Satoshi Kon que vai explodir sua cabeça .

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A história de Perfect Blue gira em torno de Mima, uma jovem cantora que faz parte do trio de garotas do grupo CHAM!, um grupo iniciante mas que já tem alguns fãs. Tudo vai bem até que Mima decide sair do grupo e entrar na carreira de atriz, anunciando sua saída em um show, o que surpreende os fãs, em especial Uchida, que começa a perseguir a jovem e bela garota.

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Sendo uma atriz iniciante, Mima começa com um papel pequeno na série “Double Blind” mas que logo cresce. Até que pessoas relacionadas à produção da série começam a ser assassinadas, um site misterioso relata a vida de Mima em detalhes e a jovem atriz, para provar seu valor, aceita participar de cenas mais ousadas, envolvendo estupro e nudez. Atormentada pelas mortes e sentindo-se perseguida pelo site, Mima começa a perder a sanidade, tendo alucinações constantes que levam também quem assiste à loucura.

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Perfect Blue é, em essência, uma enorme crítica à questão das idols nos Japão. Jovens garotas são forçadas a seguir um ideal de pureza, que muitas vezes foge totalmente da normalidade, apenas para servir ao imaginário (muitas vezes pervertido) dos fãs. Essa busca por uma imagem ideal ocorre em qualquer lugar, mas na Ásia, em especial, isso parece ser levado muito a sério. Em fevereiro desse ano, houve o caso de Minami Minegishi – uma integrante do grupo de idols AKB48 que, após passar uma noite com um homem, gravou um vídeo raspando a cabeça como uma forma de “autopunição” e pedindo desculpas aos fãs por… O quê? Tê-los traído? Por querer ter sua própria vida? Por não corresponder ao ideal de pureza que sua imagem demonstra? Isso em 2013, a história da loucura de Mima e seu stalker é de 1998.

Minami Minegishi - antes e depois

Minami Minegishi – antes e depois

Além dessa parte crítica, Perfect Blue é um thriller psicológico digno de aplausos. Sofrendo uma pressão psicológica intensa, Mima entra em conflito consigo mesma e perde a capacidade de identificar o que é real e o que é sonho. E nós perdemos essa capacidade também. A trama da série que Mima atua, sua vida cotidiana, seus sonhos e suas alucinações envolvendo uma versão sua representando a boneca perfeita, linda e pura que os fãs querem se misturam de uma forma impecável. Em um momento, foi necessário dar um pause no filme para tentar absorver tudo o que era mostrado. E, caso você ainda não tenha notado, essa não é uma animação para crianças. Há nudez frontal, muita violência, uma trama complexa e uma cena de estupro agonizante. Não se engane pela imagem bonitinha do início.

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Uma curiosidade: Darren Aronofsky, diretor de Cisne Negro, comprou os direitos do filme para reproduzir a cena da banheira em Réquiem para um Sonho. Também é possível enxergar muitas semelhanças entre Cisne Negro e Perfect Blue, já que ambos mostram duas moças (com nomes semelhantes – Nina e Mima) entrando em um espiral de loucura por problemas envolvendo suas personalidades. Mesmo que algumas cenas sejam bem semelhantes, ambos têm seu valor – Cisne Negro é uma obra bela e assustadora com a atuação impecável de Natalie Portman e uma perspectiva diferente sobre o mundo do balé; Perfect Blue é uma crítica à criação de ídolos embalada em um thriller psicológico sensacional. Ambos são filmes incríveis, daqueles que mexem com sua cabeça. Mas veja abaixo algumas semelhanças com as obras de Darren Aronofsky:

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Resumindo: Perfect Blue é uma animação, com o perdão do vocabulário, do caralho. Mesmo se você não curtir animes dê uma chance a ele, recomendo para todos. A história é complexa no nível certo, cheia de mindfucks e com uma intensidade eletrizante. O que poderia ser melhor é o final, que não chega a ser ruim, mas foi um tanto calmo. Nem chega perto de estragar essa obra.

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